Entrevistas
Entrevista: Lloyd Kiff

Por: Willian Menq | 28 de maio de 2010
 
 

Sou Lloyd Kiff, biólogo, 67 anos de idade, nasci e cresci na zona rural no oeste da Virginia, nos Estados Unidos. Meu interesse por aves começou desde cedo, quando eu tinha 3 anos de idade. Minha mãe também bióloga, me incentivou a observar às aves, insetos e outras coisas da natureza. Na época, com 5 anos de idade, eu ja conseguia identificar cerca de 150 espécies de aves, desde então, já estava decidido me tornar um ornitólogo.

Sobre sua carreira na ornitologia:

Fiz minha graduação na Universidade da Califórnia, Los Angeles - EUA, onde ganhei uma bolsa para cursar o Mestrado, também estudei por um tempo na Costa Rica. Dentre as aves de rapina, na Califórnia trabalhei principalmente com os Condores-da-califórnia, espécie criticamente ameaçada de extinção e também com falcões peregrinos. Participei da equipe de pesquisa de ambas espécies nos E.U.A. Uma de minhas principais pesquisas foi sobre os efeitos de agentes contaminantes e dos DDE nas cascas dos ovos. Fui lider da equipe de pesquisa do Condor durante 7 anos. Fui responsável durante 26 anos pela maior coleção de ovos de aves no mundo, localizado na Fundação Western of Vertebrate Zoology, na Califórnia, e posteriormente fui curador de ornitologia no Museu de História Natural de Los Angeles.

Nas viajens pelo museu onde era responsável, realizei várias coletas de campo em países como a Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Equador, Quênia e Sabah (Norte de Bornéu). Desde 1994 estou na Peregrine Fund (Fundo peregrino), onde supervisiono a biblioteca de pesquisa, coleções de amostras, e no portal Global Raptors. Ultimamente tenho concentrado minhas energias no portal científico Global Raptors (Rede de informações das aves de rapina do globo), website criado anos atrás. E ultimamente ando escrevendo e fazendo anotações sobre as aves de rapina em geral.

Como você vê o mundo atual para os jovens biólogos?

Todos nós vivemos em um momento emocionante por causa dos avanços tecnológicos, nas disciplinas e nas pesquisas. Quando eu iniciava na ornitologia, a maioria das experiências foram poucos conhecidas na natureza. Agora temos tantas novas técnicas, como por exemplos o uso de rastreamento por satélite, chips, genética molecular, radiotransmissores, a cada novo número de revista traz uma resposta nova para velhas questões e novas idéias para diversas linhas de pesquisa. De modo geral, este é o melhor momento para entrar na Biologia e o melhor momento da humanidade para estar vivendo.

Quais conselhos daria aos jovens biólogos e estudantes de Biologia?

Vá para o mato, e aprecie as florestas e a natureza em geral durante algumas horas. Há um monte de coisas acontecendo no mundo que podemos negligenciar a menos que bloquear todas as distrações da civilização. Além disso, não fique focado em uma única técnica ou tipo de equipamento, seja aberto a tudo, pois a vida é muito curta para vivermos como um robô. Acima de tudo, não perca o seu foco, lembre-se sempre por que foi atraído pela biologia. Viajem o tanto que você puder, viajar é o melhor jeito de se aprender algo. Quantos pessoas já visitaram todos os estados do Brasil? ou todos os países da América do Sul? ou todos os Continentes? Em minha vida, minha maior recompensa foram as amizades que fiz com pessoas em diversos países e culturas diferentes. Todos nós gastamos muito tempo com pessoas que fazem o mesmo que nós fazemos, mas a verdadeira aprendizagem vem de idéias novas e diferentes.

Uma das coisas mais incríveis que já aconteceu na minha vida foi a ascendência da ornitologia na América do Sul. Fui a primeira vez aos Neotrópicos quando eu tinha 18 anos, quando trabalhava com Hugh Land, que escreveu um guia das aves da Guatemala. Naquela época, havia poucos ornitólogos na América Latina, a maioria das publicações ornitológicas eram de Norte-americanos e Europeus, publicando em grande parte nos periódicos do Hemisfério Norte. Hoje, a situação é inversa, existe um numero muito bom e vibrante de ornitólogos na maioria dos países latino-americanos, com várias publicações no Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia, Chile, etc. Estou impressionado especialmente com os biólogos de aves de rapina do Brasil, e ansioso para quem sabve um dia jogar Basquete e beber cerveja com todos vocês.

 

Muito obrigado, Lloyd.