Entrevistas
Entrevista com Jean Marc Thiollay

Por: Willian Menq | 08 de maio de 2011
 
 

Jean segurando um Rupornis magnirostris ferido, nordeste da argentina. Foto: RSA

Jean Marc Thiollay é autoridade internacional em biologia de aves de rapina tropicais, trabalhou toda sua vida como pesquisador, foi também diretor de pesquisa do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS) na Universidade de Paris, trabalhou na École Supérieure, e em seguida no Museu Nacional d'Histoire Naturelle.

Depois de se formar na universidade, desenvolveu vários trabalhos na França e na Europa, e passou vários anos estudando a ecologia da comunidade de aves de rapina de uma zona de ecótono de savana com floresta na África Ocidental, enfocando as migrações sazonais das espécies, também trabalhou em muitos países tropicais. Seu interesse maior era as aves de rapina das florestas tropicais, ecologia e conservação de aves florestais, efeitos da fragmentação do habitat, etc. Nos últimos anos, ele refez muitos de seus antigos censos de aves de rapina na África Ocidental para apontar 30 anos depois, o declínio de algumas espécies (especialmente águias e abutres).

Possui dezenas de publicações científicas, alguns livros, capítulos de livros, sendo seus trabalhos frequentemente citados em publicações. Ele sempre esteve profundamente envolvido em organizações sobre aves e conservação da natureza, tanto na França quanto internacionalmente. Com isso, ele é membro de vários conselhos regionais, nacionais e internacionais, órgãos científicos e de conservação, e ainda pratica ornitologia na França. Atualmente, vive com sua esposa Françoise em Rouilly-Sacey, França.

1. Olá Jean, comente um pouco sobre você, onde nasceu e estudou.
Nasci em 1943. Estudei até o doutorado e a tese de phD na Universidade de Paris. Agora, estou aposentado desde 2006, mas ainda vou frequentemente a campo na França ou em outros lugares da Europa.

2. Como começou sua carreira na Biologia, em particular com as aves de rapina?
Eu sempre fui interessado pelas aves de rapina. Subi meu primeiro ninho, que era de um gavião (Buzzard) com 10 anos, e publiquei meu primeiro trabalho sobre aves de rapina em 1962, desde então conto com mais de 200 publicações científicas.

3. Quais países você já conheceu e quais foram seus trabalhos mais marcantes?
Após estudos e observações de aves na maioria dos países europeus e além de visitas rápidas em outras áreas, trabalhei em tempo integral de 1967 a 1974, em 14 países da África Ocidental e Central, a partirde Mauritânia até o Gabão e no Chade (onde foi minha tese sobre as migrações de aves de rapina dentro do oeste africano). Então trabalhei cerca de 5 a 8 mês por ano, nas seguintes localidades:
- Sete países do leste da África, Madagascar e ilhas do Oceano Índico Ocidental,
- 6 países do norte da África e do Oriente Médio,
- 9 países do sul da Ásia, Afeganistão e no Nepal e Sri Lanka, Indonésia, Filipinas e Vietnã,
- 8 ilhas (maiores) das Índias Ocidentais, de Cuba a Granada,
- 14 países latino-americanos do México a Guatemala, Chile e Argentina, incluindo minhas áreas de estudo permanente e orientação de alunos na Guiana Francesa.

4. Qual foi o momento ou evento mais memorável de sua carreira?
Assim, muitos deles! quase que diariamente vivi eventos memoráveis!!

5. Qual sua ave de rapina favorita?
Gosto das mais elegantes, como o Milhafre-real (Milvus milvus) na Europa e Africa e o Americano gavião-tesoura (Elanoides forficatus).

6. Em seus trabalhos, quais as principais ameaças notadas para as aves de rapina em geral?
Em todo o mundo, as principais ameaças vem da crescente superpopulação humana e do desenvolvimento em seus aspectos múltiplos levando à diminuição contínua da biodiversidade e dos habitats naturais.

7. As florestas tropicais, como a Amazônia, possuem uma incrível biodiversidade. Você acredita que ainda possa existir aves não descritas pela ciência?
Ao menos uma nova espécie de ave de rapina, sabe-se de um pequeno Accipiter florestal na Guiana Francesa, bem observado mas não coletado, que está para ser descrito.

8. O que você diria para os estudantes de biologia jovens que desejam seguir uma carreira no estudo das aves?
Pode não ficar rico em termos de salário, mas é algo fascinante e terás uma vida completa!

 

Dr. Jean Marc Thiollay